Posted by Carlos B. Pinto Categories: Marcadores: , , , , ,
Por curiosidade, fuçando as páginas dos indicados para o prêmio VMB deste ano, tive a graça de, entre hypes e figurinhas carimbadas da MTV, rever a “Devotos”, concorrendo na categoria hardcore. Aliás nessa categoria acontece uma coisa interessante: tem outras bandas legais, não tão novas (com, no mínimo, 10 anos). Particularmente, na minha já distante adolescência, curti muito a “Devotos” não só por gostar de punk e hardcore mas também por eles representarem muito bem essa estética pelo exemplo de não apenas fazer crítica contra o sistema capitalista, mas também pela luta social. Nascidos num lugar paupérrimo, totalmente deslocados dos grandes centros, Cannibal (baixo e vocal), Celo (bateria) e Neilton (guitarra) conseguiram sobreviver quase exclusivamente de uma estética artística nem tanto comercial e ainda com uma consciência social tão rica que mudaram, de certa forma, a cara do bairro “Alto José do Pinho”. A banda completou este ano 20 anos de carreira com quatro discos de estúdio, um EP e um disco ao vivo ( comemorando 20 anos de estrada) e muitos shows no Brasil e no mundo sem precisar mudar do bairro. A banda mantém uma ONG (Alto-Falante) e rádios comunitárias numa filosofia, segundo Canibal, de “mudar primeiro o bairro”.

Esse pensamento parece meio “bairrista”no sentido literal, mas faz sentido quando pensarmos que a maioria da população vive sem ao menos pensar criticamente em relação ao sistema que faz tudo funcionar. Deixar as pessoas próximas da gente sem ao menos refletir, pensar criticamente sobre isso seria uma grande irresponsabilidade. O punk tem várias vertentes, mas eu a vejo principalmente como uma arte engajada em fazer critica contra o sistema. O tal Sistema Capitalista está em crise, já prevista por sinal, ouve-se falar em responsabilidade social, ambiental e cultural por parte de algumas empresas, P2P, Software Livre, Movimento MPB ( Música pra Baixar ). Algo está mudando...

A Devotos de, certa forma, foi beneficiada pelo movimento “Manguebeat”, pois os olhos da imprensa voltaram-se para Recife, mas eles nunca deixaram as suas convicções, nem mesmo o velho “Alto José do Pinho”. Segundo Canibal, em entrevista para o Caderno C do Jornal do Comércio, que diz: “ Até quando vamos tocar em São Paulo pedimos para os shows aconteçam numa sequencia, ninguém está afim de ficar batendo pernas em São Paulo, quer logo voltar pra casa. Se a gente deixar o Alto a gente vai buscar inspiração onde?" Os caras continuaram firmes, convictos e simples, na luta!




1 Comentario para Punk e Hardcore, lá no Alto Zé do Pinho, é do caralho!

26 de agosto de 2009 10:09

Massa o post Caio!

Banda muito boa e essa idéia de mudar primeiro o bairro está na ordem do dia!

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